Analistas confrontam a Frelimo sobre o vazio de poder e a falta de soluções para a crise em Cabo Delgado

A recente reunião do Comité Central da Frelimo continua a gerar ondas de choque no panorama político moçambicano. Entre a urgência de responder ao terrorismo no Norte e a inevitável transição de liderança, as opiniões dividem-se entre a necessidade de acção imediata e a urgência de uma reforma estrutural no modelo de governação do país.

Para o analista Alberto da Cruz, em entrevista à STV, no programa ponto de vista, o momento exigia mais do que discursos protocolares. Segundo Cruz, era expectável que o Comité Central apresentasse um plano de acção robusto e claro para estancar a violência terrorista na província de Cabo Delgado, que continua a fustigar populações e a adiar projectos estratégicos.

O analista sublinha um ponto que muitos evitam tocar abertamente: a finitude do mandato actual. Alberto da Cruz recorda que o actual Presidente da República e do Partido “não permanecerá no poder para sempre”, reforçando que a falta de uma estratégia de defesa sólida e de uma sucessão bem desenhada pode deixar o país num vazio de liderança perigoso face a ameaças externas.

Num tom complementar, mas focado nas raízes do sistema, no mesmo programa, Hélder Jauana traz à mesa a necessidade de uma reflexão profunda sobre o modelo de governação. Para Jauana, o problema não se resume apenas a nomes ou figuras de liderança, mas sim à forma como o Estado é gerido.

O debate sugere que a Frelimo enfrenta o desafio de se reinventar para responder a um eleitorado mais jovem e a uma conjuntura económica asfixiante, onde a eficácia das instituições é colocada em causa diariamente.

Imagem: STV

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