FMI avisa que preços “vão demorar a recuar” mesmo após a guerra no Médio Oriente

Os preços, a nível global, vão demorar tempo até regressarem aos níveis anteriores à guerra entre EUA e Israel e o Irão, mesmo que o cessar-fogo se mantenha, afirmou a directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, numa entrevista à CBS, em antecipação dos encontros de primavera com o Banco Mundial, que arrancam esta semana em Washington.

“Vai demorar algum tempo, sim, e demorará ainda mais tempo para as regiões que estão a sofrer com um maior nível de perturbação”, disse Georgieva em comentários transmitidos no domingo no programa Face the Nation, da CBS. “É por isso que temos de nos lembrar da assimetria deste choque”, sublinhou a directora-geral do FMI, citada pelo jornal Negócios.

Georgieva reiterou que o FMI vai rever em baixa as suas previsões de crescimento global como resultado da guerra no Irão, na actualização do World Economic Outlook, cuja publicação está agendada para a próxima terça-feira.

“Teremos uma revisão em baixa, e a magnitude dessa revisão dependerá de dois factores: a duração e a velocidade com que tudo poderá voltar ao mesmo nível de produção que tínhamos antes”, disse a responsável do fundo.

As declarações de Georgieva foram transmitidas horas depois de as negociações directas no Paquistão terem terminado sem sucesso e de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado que os EUA vão iniciar um bloqueio naval completo ao estreito de Ormuz e ameaçou retaliar em caso de resistência iraniana. Por seu turno, o Irão ameaçou responder com um “turbilhão mortal” aos inimigos que interfiram na importante rota para o comércio de energia.

A pressão sobre os preços tem sido causada pela escalada dos preços do petróleo e do gás. No entanto, o momento é agora de incerteza sobre se o cessar-fogo anunciado há cerca de uma semana se manter pela semana que ainda faltava, bem como sobre um fim permanente da guerra pelo que, depois de o crude ter tido a maior queda semanal desde a pandemia, a nova escalada do conflito deverá causar uma inversão.

 

(Foto DR)

Deixe um comentário