A indignação tomou conta das redes sociais após uma “Carta Aberta” ao Presidente da República denunciar negligência fatal no Hospital Provincial de Chimoio. O MISAU já reagiu com “tolerância zero”.
O que deveria ser um momento de celebração transformou-se em luto para uma família na província de Manica. Pelo menos oito profissionais de saúde da Maternidade do Hospital Provincial de Chimoio (HPC) foram preventivamente suspensos. A medida surge após a morte trágica de uma mulher e do seu bebé durante o parto, num caso que levanta sérios questionamentos sobre a humanização do atendimento hospitalar no país.
A denúncia ganhou contornos nacionais quando o marido da vítima publicou uma Carta Aberta dirigida ao Presidente da República. No relato, que viralizou rapidamente, o viúvo descreve uma espera angustiante: a esposa deu entrada no domingo, dia 5 de Abril, às 16h00, e após horas de intensas dores e falta de assistência, o óbito de ambos foi confirmado à meia-noite de segunda-feira.
A directora do HPC, Marília de Morais Pugas, confirmou que a suspensão é o primeiro passo para o esclarecimento total dos factos. De acordo com a responsável, foi constituída uma equipa de inspecção e investigação com o objectivo de apurar, com rigor, as circunstâncias em que se deu este facto.
O caso já não corre apenas na esfera administrativa. O SERNIC (Serviço Nacional de Investigação Criminal) tomou as rédeas do processo e já detém os resultados da autópsia, que serão cruciais para determinar se houve crime de negligência médica.
Em comunicado oficial emitido de Maputo, o Ministério da Saúde (MISAU) reforçou que não vai admitir desvios éticos. A instituição sublinhou que a **dignidade humana e o respeito pela vida** são pilares inegociáveis do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
As medidas anunciadas incluem a abertura de processos disciplinares e o encaminhamento do caso à Procuradoria da República. O ministério exorta ainda os cidadãos a denunciarem qualquer mau atendimento sem medo, visando o reforço da qualidade dos serviços.
O MISAU lamentou profundamente a perda e apresentou condolências à família, enquanto a sociedade moçambicana aguarda por justiça num caso que reacende o debate sobre a segurança e humanização nas maternidades do país.
Imagem: DR