Manuel Chang “clama” pela deportação imediata para Moçambique após libertação nos EUA

A defesa de Manuel Chang solicitou ao tribunal do distrito leste de Nova Iorque a sua deportação imediata para Moçambique, após o cumprimento da pena nos Estados Unidos. O antigo governante, condenado no caso das Dívidas Ocultas, permanece sob custódia das autoridades de imigração, enquanto a viagem de regresso a Maputo foi travada por entraves administrativos relacionados com a escala em Lisboa.

A defesa do antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, pediu ao tribunal do distrito leste de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, que ordene a sua deportação imediata para Moçambique.

De acordo com uma publicação da RFI, o pedido foi apresentado depois da sua libertação, na sequência do cumprimento da pena pelos crimes de conspiração para cometer fraude por meios electrónicos e branqueamento de capitais, no âmbito do caso das Dívidas Ocultas, revelado em 2016.

Para já, Manuel Chang continua nos Estados Unidos da América, sob alçada do serviço de imigração e alfândegas (ICE). Depois de cumprir a pena de prisão, foi conduzido ao aeroporto de Boston, de onde deveria seguir para Maputo na última sexta-feira (27), com escala em Lisboa, a bordo de um voo da TAP.

A viagem acabou por não se concretizar uma vez que o documento de viagem de emergência, emitido pela embaixada de Moçambique em Washington — segundo a RFI — não terá sido aprovado pelas autoridades portuguesas, responsáveis pela escala em Lisboa.

Entretanto, o regresso do antigo governante, que exerceu funções entre 2005 e 2015 e é apontado como um dos principais responsáveis pelo escândalo das Dívidas Ocultas, avaliadas em mais de 2 mil milhões de dólares, depende agora da decisão do tribunal nova-iorquino.

Recorde-se que Manuel Chang foi detido em 2018 na África do Sul e foi extraditado para os Estados Unidos, onde seria condenado a oito anos e meio de prisão pelos crimes referidos. O caso levou, na altura, vários parceiros de Moçambique, incluindo instituições financeiras internacionais, a suspender o apoio direto ao Orçamento do Estado.

 

(Foto DR)

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