O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) em Nampula apresentou, esta quinta-feira (26), mais um indivíduo indiciado no envolvimento em um esquema de burla através da emissão de cheques sem cobertura, usado para a aquisição fraudulenta de bens.
O caso surge poucos dias após outras ocorrências semelhantes reportadas pelas autoridades, num cenário em que crimes com recurso a cheques falsos têm vindo a atingir, sobretudo, agentes económicos na província.
De acordo com a porta-voz do SERNIC em Nampula, Enina Tsinine, os suspeitos dirigiram-se a um estabelecimento comercial onde adquiriram dois triciclos motorizados, conhecidos como “tchopelas”, efectuando o pagamento com um cheque.
Segundo uma publicação do portal Ngani, após a transacção, avaliada em cerca de 797 mil meticais, os proprietários deslocaram-se ao banco para levantar o valor, momento em que descobriram que o cheque não tinha fundos suficientes, confirmando tratar-se de uma burla.
Na sequência da denúncia, o SERNIC iniciou investigações que culminaram com a recuperação dos dois triciclos em locais distintos: um foi localizado numa bomba de combustível, onde se encontrava escondido, e outro na residência do indivíduo agora apresentado.
As autoridades indicam que existe um segundo suspeito, já detido pela Polícia da República de Moçambique (PRM), embora esteja a responder por outro crime, permanecendo, ainda assim, ligado ao circuito do bem burlado.
Segundo Enina Tsinine, este tipo de crime tem sido recorrente e consiste na utilização de cheques legítimos, mas sem provisão bancária, para enganar comerciantes. Os burladores aproveitam-se do período de compensação bancária — que pode variar entre 48 e 72 horas — para retirar os bens antes da confirmação dos valores.
“O cheque é verdadeiro, mas não tem cobertura. Eles exploram o tempo de processamento para consumar a burla”, explicou.
Face à crescente incidência destes casos, o SERNIC apela aos comerciantes a reforçarem os mecanismos de verificação, recomendando que a entrega de bens só seja feita após a confirmação efectiva da entrada do dinheiro na conta.
Entretanto, o indivíduo detido nega envolvimento directo no esquema. Em declarações às autoridades, afirmou que apenas guardava um dos triciclos a pedido de um familiar, sem conhecimento da sua origem ilícita.
“Foi o meu primo que me pediu para guardar a mota por um dia. Aceitei, mesmo com receio por falta de segurança”, disse, acrescentando que apenas tomou conhecimento da situação após a detenção do familiar. O suspeito, que afirma trabalhar como moto-taxista, nega qualquer ligação à emissão de cheques sem cobertura, mas permanece sob investigação.
(Foto DR)