Governo do Ruanda ainda não recebeu qualquer notificação oficial da União Europeia (UE) sobre a interrupção do financiamento destinado à sua missão militar em Cabo Delgado, Moçambique.
A garantia foi dada pelo embaixador ruandês em Maputo, Donat Ndamage, numa entrevista exclusiva à MBC TV, contrariando relatos recentes que apontavam para o fim do apoio financeiro em maio deste ano.
Segundo o diplomata, a ausência de uma comunicação formal por parte do bloco europeu permite manter em aberto a possibilidade de continuidade do suporte financeiro. Ndamage sublinhou que o Ruanda não descarta que a parceria com a UE prossiga, reforçando que o combate ao terrorismo no norte de Moçambique continua a ser uma prioridade estratégica para o seu país.
“O Ruanda não recebeu qualquer comunicação sobre o fim do financiamento da União Europeia para a sua permanência em Cabo Delgado. É do interesse do nosso país continuar a apoiar Moçambique no combate ao terrorismo”, afirmou o embaixador Donat Ndamage à MBC TV.
A presença das Forças de Defesa do Ruanda (RDF) em Cabo Delgado tem sido parcialmente sustentada pelo Mecanismo Europeu de Apoio à Paz (European Peace Facility). Em novembro de 2024, o Conselho da União Europeia aprovou um pacote adicional de 20 milhões de euros para apoiar as operações ruandesas, que têm sido fundamentais na proteção de projetos de exploração de gás natural e na estabilização de distritos fustigados pela insurgência islâmica.
Apesar das declarações otimistas do embaixador, diversos órgãos de comunicação internacionais têm avançado que o apoio atual expira em maio de 2026, sem que existam, até ao momento, garantias públicas de renovação. A incerteza sobre estas verbas surge num momento crítico, em que a sustentabilidade financeira das missões bilaterais e regionais em Moçambique está sob escrutínio.
O Ruanda mantém um contingente de cerca de 2.500 militares e polícias em Cabo Delgado desde julho de 2021. A intervenção de Kigali, solicitada pelo Governo de Moçambique, foi decisiva para a recuperação de vilas estratégicas como Mocímboa da Praia e Palma.
Donat Ndamage reiterou que, independentemente das questões financeiras imediatas, a vontade política de Kigali em colaborar com as forças de defesa e segurança moçambicanas permanece inalterada. O diplomata destacou que a estabilidade da região é crucial não apenas para Moçambique, mas para a segurança coletiva do continente africano.
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