Dívida Pública de aproxima-se de 1,1 biliões de meticais

A trajetória do endividamento público moçambicano registou um agravamento de quase 5% no decorrer de 2025. O Fundo Monetário Internacional (FMI) reforça os alertas para a insustentabilidade financeira e para o risco elevado de incumprimento externo.

O cenário das contas públicas de Moçambique enfrenta um novo período de pressão. Segundo os dados mais recentes do Ministério das Finanças citados pelo jornal Notícias relativos à execução orçamental, o volume total da dívida fixou-se nos 1,095 biliões de meticais no final de 2025, o que representa um crescimento face aos 1,043 biliões contabilizados no encerramento do exercício de 2024.

Esta montanha de endividamento decompõe-se em duas frentes principais. No plano externo, o valor ascendeu aos 621.284 milhões de meticais, enquanto a componente interna se situou nos 474.013 milhões. Um dos indicadores mais sensíveis deste balanço é o financiamento concedido ao Estado pelo Banco de Moçambique, que sofreu um incremento substancial ao passar de 66.565 milhões para 95.665 milhões de meticais num curto espaço de doze meses.

O custo de manutenção desta dívida está a asfixiar as contas do Estado. Apenas em encargos e juros, o erário público desembolsou cerca de 53.345 milhões de meticais em 2025. Para contextualizar o peso desta fatura, note-se que estes encargos representam agora 15,2% da despesa total de funcionamento do Estado moçambicano, limitando drasticamente a margem de manobra para outros investimentos prioritários.

Perante estes números, a avaliação do Fundo Monetário Internacional é taxativa ao considerar a situação como crítica. A instituição sublinha que a dívida externa mantém um risco alto de insolvência e que a estratégia de sustentabilidade está atualmente inviabilizada por falta de um ajuste político abrangente. O FMI aponta ainda que a retoma dos megaprojetos de Gás Natural Liquefeito (GNL) é crucial, uma vez que novos atrasos nestes investimentos, aliados à contratação de passivos em condições desfavoráveis, podem acelerar a deterioração da trajetória financeira do país.

Como solução, os organismos internacionais defendem uma consolidação fiscal rigorosa. Esta estratégia deverá passar obrigatoriamente pela contenção da folha salarial da função pública e por um esforço redobrado na arrecadação de receitas fiscais, medidas consideradas essenciais para restaurar o equilíbrio macroeconómico a médio prazo.

Deixe um comentário