Profissionais de saúde anunciam paralisação nacional em protesto contra redução do 13.º salário e crise no sector

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) anunciou a paralisação das actividades no Sistema Nacional de Saúde a partir do dia 16 de janeiro de 2026, às 15h30, em protesto contra a redução do pagamento do 13.º salário para 40% e para denunciar a crise estrutural que afecta o sector.

Em comunicado dirigido ao Gabinete do Primeiro-Ministro, a APSUSM referiu que a decisão resulta do “desagrado generalizado” entre os profissionais de saúde, sublinhando que o 13.º salário é um direito legal e não um favor”. A associação exige a reposição do pagamento integral como condição para o regresso à normalidade dos serviços, advertindo que a paralisação poderá ser prolongada caso o Governo não reveja a medida.

Segundo a organização, os profissionais de saúde trabalham sob pressão constante, com jornadas exaustivas, riscos elevados e frequentemente em condições precárias e indignas. Para a APSUSM, o 13.º salário representa um reconhecimento mínimo pelo esforço, dedicação e sacrifício destes trabalhadores.

O documento enquadra a paralisação num contexto mais amplo de crise estrutural no Sistema Nacional de Saúde, apontando problemas como a falta recorrente de medicamentos essenciais, ausência de alimentação para pacientes internados, escassez de material médico-cirúrgico, infra-estruturas degradadas, falta de água e saneamento, ambulâncias paralisadas por falta de combustível e a inexistência de um número nacional de emergência funcional.

A APSUSM alerta que a persistência deste cenário compromete seriamente o atendimento à população e aprofunda a crise da saúde pública, defendendo que respeitar os direitos dos profissionais é essencial para garantir um serviço de saúde digno e eficaz.

Imagem: DR

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