O mês de Março chegou sem que tenha sido alcançado um acordo que permita a continuidade das operações da Mozal, a maior fundição de alumínio de Moçambique, aumentando a incerteza sobre o futuro da unidade industrial de Beluluane, província de Maputo.
A empresa anunciou que a produção será suspensa a partir de 15 de Março de 2026, permanecendo apenas um grupo reduzido de funcionários para manutenção e segurança. Este regime de “care and maintenance” deixa cerca de 1.059 trabalhadores directos sem funções, com impacto indirecto em milhares de empregos ligados a fornecedores e prestadores de serviços, estimando-se que o efeito total possa atingir até 20.000 postos de trabalho.
Já circulam vídeos nas redes sociais que mostram trabalhadores a entoar cânticos de despedida, enquanto equipamentos e quadros da fábrica aparecem desligados, retratando o clima de apreensão e descontentamento no parque industrial.

A Mozal informou que haverá indemnizações para os despedidos, calculadas de acordo com o tempo de serviço e o nível salarial: trabalhadores com salários acima de sete salários mínimos receberão cerca de 6% do salário anual por cada ano de serviço, enquanto os que ganham menos terão direito a 40 dias de salário por cada ano trabalhado.
O cerne do impasse mantém-se no custo e fornecimento de energia eléctrica, essencial para a fundição, sem que até ao momento tenha sido encontrado um consenso entre a empresa e o Governo. A situação evidencia o peso da Mozal na economia do país, não apenas como maior indústria de Moçambique, mas também como motor de emprego e exportações.
A expectativa é de quase impossível que novas negociações ocorram nos próximos dias, mas a falta de acordo deixa milhares de famílias em suspense sobre o futuro imediato.
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