Moçambique voltou a figurar entre os países com pior desempenho no combate à corrupção, de acordo com o mais recente Índice de Perceção da Corrupção (CPI) divulgado pela organização não governamental Transparency International, que avaliou 182 países e territórios em 2025.
No relatório deste ano, Moçambique obteve apenas 21 pontos numa escala de 0 (altamente corrupto) a 100 (muito transparente), uma queda em relação aos 25 pontos registados em 2024. Estes 21 pontos representam o valor mais baixo da história do país no índice, segundo séries de dados de séries históricas.
Com este resultado, Moçambique ocupa a 161.ª posição no ranking global de percepção de corrupção, colocando‑se entre as nações com níveis mais altos de perceção de corrupção no sector público. No contexto africano e lusófono, o país fica muito atrás de estados como Cabo Verde (que lidera entre países da CPLP), São Tomé e Príncipe ou Angola, que apresentam pontuações significativamente superiores.
Os indicadores sugerem uma tendência preocupante: nos últimos dez anos, Moçambique perdeu cerca de 10 pontos na perceção de corrupção, refletindo dificuldades persistentes no fortalecimento das instituições e na implementação de medidas eficazes de transparência e prestação de contas.
Analistas sublinham que a fraca pontuação no CPI afeta a confiança de investidores e parceiros internacionais, ao passo que a opinião pública continua a apontar para a necessidade de reformas profundas no sector público e judiciário para reverter o quadro de corrupção endémica. Enquanto isso, países com pontuações mais altas no índice — tanto em África como globalmente — reforçam a ligação entre integridade institucional e desenvolvimento socioeconómico sustentável.
Imagem: DR