FMI alerta para fragilidades económicas e recomenda reformas estruturais em Moçambique

O Conselho Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu a Consulta do Artigo IV de 2025 com a República de Moçambique, destacando a necessidade urgente de medidas coordenadas para reforçar a estabilidade macroeconómica e sustentar o crescimento económico a médio prazo.

Apesar de alguns desenvolvimentos positivos — incluindo inflação baixa, reservas internacionais adequadas, a retomada de um grande projecto de GNL e a saída do país da lista cinzenta do GAFI — Moçambique enfrenta desafios significativos, como crescimento económico limitado, vulnerabilidades fiscais e da dívida, défices externos elevados e redução da ajuda externa.

No comunicado o FMI refere que a actividade económica tem vindo a recuperar gradualmente após a forte contracção registada no final de 2024, enquanto a inflação se mantém contida. O défice da conta corrente estreitou-se em 2025, mas continua acima de níveis compatíveis com os fundamentos económicos, e o financiamento externo líquido permaneceu negativo. O Governo enfrenta dificuldades crescentes de financiamento, com atrasos no serviço da dívida e plafonamento da participação dos bancos domésticos na compra de dívida pública.

O Conselho Executivo do FMI sublinhou a importância de um pacote abrangente de reformas, incluindo consolidação fiscal ambiciosa, gestão rigorosa da despesa pública, alargamento da base tributária, reforço da transparência e governação, e maior flexibilidade cambial para apoiar o crescimento. Também foi destacada a necessidade de proteger os grupos mais vulneráveis e garantir que os sectores sociais e de desenvolvimento possam ser financiados.

No sector monetário, o Banco de Moçambique foi elogiado pela prudência das políticas e pelas expectativas de inflação bem ancoradas, embora o FMI ressalve limitações para aliviar condições monetárias apertadas devido a rigidezes cambiais e risco de escassez de divisas. A implementação de reformas estruturais, fortalecimento da governação e promoção do desenvolvimento do sector privado foram apontados como essenciais para assegurar estabilidade e crescimento sustentado.

O FMI anunciou que a próxima Consulta do Artigo IV com Moçambique será realizada no ciclo padrão de 12 meses.

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