INATRO não canaliza há anos receitas para o Orçamento do Estado

O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) não canaliza, há vários anos, as receitas arrecadadas para o Orçamento do Estado, segundo dados avançados pela TV Sucesso. A revelação surge no âmbito de uma investigação que fiscaliza, entre outros aspectos, o cumprimento da extensão do horário de trabalho aos sábados e domingos.

De acordo com a reportagem do programa “Sucesso Investigação”, a equipa procurou obter esclarecimentos adicionais sobre a prestação de serviços na zona centro e norte do país, mas deparou-se com resistência por parte de alguns responsáveis. “Não estou autorizado a falar”, foi a resposta recorrente obtida em cidades como Beira e Nampula.

Entretanto, na província da Zambézia, o cenário foi diferente. O delegado provincial do INATRO revelou que foram enviadas de Maputo cerca de 500 mil cartas de condução para Quelimane, destinadas à distribuição aos utentes. As declarações contrastam com as do administrador da instituição, Cláudio Zunguze, que anteriormente indicara existirem 35 mil cartas pendentes na sede do INATRO.

A soma dos números apresentados aponta para um total de 535 mil cartas por entregar entre Maputo e Quelimane. Considerando os valores cobrados pela emissão de cartas de condução, a TV Sucesso refere que o INATRO poderá ter facturado mais de um bilião de meticais apenas com este serviço, um montante significativamente superior aos 126 milhões de meticais anuais mencionados numa reportagem anterior.

Perante estes dados, levantam-se questões sobre a gestão das receitas e a centralização dos serviços na cidade de Maputo. A investigação questiona por que razão, havendo receitas consideráveis, não são alocadas máquinas de impressão a diferentes pontos do país para acelerar a entrega das cartas e reduzir o tempo de espera dos utentes.

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