O Serviço Nacional Penitenciário (SNP), com o apoio técnico do Instituto de Amêndoas de Moçambique (IAM), lançou na quarta-feira, 04 de Fevereiro, um projecto inovador de plantio de cajueiros em estabelecimentos penitenciários de cinco províncias do país. A iniciativa visa promover a reabilitação e reinserção social dos reclusos através de actividades agrícolas produtivas e sustentáveis.
Segundo o comunicado, na primeira fase, cinco mil mudas de cajueiro serão plantadas na prisão semi-aberta de Massindla. O projecto será alargado a unidades penitenciárias abertas nas províncias de Gaza, Inhambane, Sofala e Nampula, prevendo-se o plantio de um total de 17 mil mudas. As estimativas iniciais indicam uma produção de cerca de 126 mil quilogramas de castanha de caju, podendo atingir até 300 mil quilogramas quando as plantações estiverem em plena maturidade.
O cajueiro foi seleccionado devido à sua elevada resistência, boa adaptação às condições agroclimáticas locais e potencial económico. Para além de gerar rendimento e segurança alimentar, contribui para a conservação do solo e para o desenvolvimento local.
IAM garante apoio técnico e sustentabilidade
O IAM será responsável por fornecer mudas certificadas, formação em boas práticas agrícolas e acompanhamento especializado, assegurando a qualidade e produtividade das plantações. Américo Uaciquete, director dos Serviços Centrais de Investigação de Amêndoas do IAM, sublinhou que a iniciativa permitirá ao SNP reforçar a auto-suficiência alimentar e gerar receitas próprias a médio prazo, promovendo práticas agrícolas ambientalmente responsáveis.
“O projecto conjuga três objectivos estratégicos: reabilitação dos reclusos através do trabalho, sustentabilidade ambiental e fortalecimento das capacidades produtivas no sistema prisional”, afirmou Uaciquete.
Governo realça impacto social da iniciativa
O Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, destacou o carácter transformador do projecto, salientando o seu papel na formação humana e social dos reclusos. Para Saize, a introdução da cultura do cajueiro nas penitenciárias é uma oportunidade de aprendizagem, disciplina e preparação para a reintegração social.
O Secretário de Estado da Província de Maputo, Henriques Bongece, considerou que a iniciativa simboliza um compromisso concreto com a reinserção social e a valorização do ser humano, representando esperança e construção de um futuro mais digno para todos os envolvidos.
O lançamento do projecto incluiu uma visita às estufas de produção de mudas de cajueiro, com demonstrações de enxertia, plantio e tratamentos fitossanitários, culminando numa feira temática que reuniu autoridades governamentais, parceiros institucionais e comunidades locais.