Em meio a uma tensão crescente no setor da saúde, marcada pelo anúncio de greve por parte de profissionais que reivindicam o pagamento do 13.º salário, o ministro da Saúde, ussene Isse, negou categoricamente a existência de qualquer paralisação. O governante descreveu as notícias sobre a greve como “não verdadeiras”.
“Não há greve no setor da saúde. A equipa está unida, coesa e a trabalhar para salvar os moçambicanos”, declarou o ministro à Eco TV, durante as celebrações do Dia dos Heróis Moçambicanos.
A afirmação surge poucos dias após associações e grupos de profissionais de saúde terem anunciado uma greve nacional, alegando incumprimento de direitos laborais, com especial destaque para o atraso no pagamento do 13.º salário. O setor já enfrenta um contexto difícil, agravado pelas cheias, surtos de cólera e sobrecarga das unidades sanitárias.
Ussene Isse alertou ainda para os riscos de uma paralisação na área da saúde, classificando qualquer forma de greve como uma “fatalidade”, dada a natureza sensível do trabalho que envolve salvar vidas. O ministro recordou que doenças “não avisam” e podem afetar qualquer pessoa, incluindo familiares dos próprios profissionais de saúde. Referiu ainda que, em greves anteriores, colegas perderam pais e mães, sugerindo um impacto direto das paralisações em perdas humanas.
As declarações reacendem o debate sobre os limites do direito à greve em setores essenciais, especialmente num contexto de salários em atraso, condições laborais precárias e crescente pressão psicológica sobre os profissionais de saúde.
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